Brasil, Festival de Cannes e o gap da inovação

O Festival de Publicidade de Cannes passou, o Brasil ganhou alguns leões, a Almap BBDO e a DM9 despontaram, a agência do ano foi brasileira e muito já foi dito sobre o assunto.

O Best Job in the World foi pra boca de todos os publicitários e as categorias em que se vê novidade de verdade, como titanium e integrated, passaram longe de sentir o gostinho brasileiro.

Com a discussão bacana do Estalo, eu me coloquei na galera que acredita que temos clientes competentes, faculdades competentes, publicitários competentes e, mais importante que isso, muita gente que não só baba ovo pro Best Job in the World, mas tem tesão em buscar fazer algo ainda melhor.

Mas se isso estiver certo, onde está o gap?

Sempre que participo de uma discussão sobre inovação,ou ouço gente falando sobre o que é preciso para inovar no mundo da comunicação, o fim é sempre o mesmo: o que importa é o resultado.

Até mesmo no EBP 2009, com grandes figuras que admiro debatendo o assunto, não conseguimos fugir da sina.

Não será possível que, talvez, a inovação esteja acontecendo, independente de sua forma, e a gente não perceba porque estamos mal acostumados a olhar para fora, sem valorizar o que temos aqui?


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  • 16 Comentários to “Brasil, Festival de Cannes e o gap da inovação”

    1. Tiago Moralles
      August 24th, 2009 at 9:31 am

      Boa pergunta Rafa. A supervalorização exterior ofusca com certeza nossos talentos.

      [Reply]

    2. Rafael Amaral
      August 24th, 2009 at 12:02 pm

      Olá Tiago!
      Ou será que a gente acompanha o que funciona no primeiro mundo e tem dificuldade em traduzir para nossa realidade?
      Abraços.

      [Reply]

    3. Marcelo Castro de Oliveira
      August 24th, 2009 at 2:55 pm

      Fala RAfa,

      Boaa questão essa levantada.

      Eu acho que estamos sim de fato atrás dos gringos no quesito inovação. Mas é como o twitter, os gringos começaram a usar, chegou por aqui, e hoje em dia tem mais brazuca do que muitas outras nacionalidades por lá.

      O que eu acho é que as coisas tem que fazer sentindo. Não adianta inovar por inovar, para ganhar cannes. Tem que influenciar e ter resultado. As coisas tem integrar, tem um pensamento continuo…por exemplo, o case da LiveAD é foda demais, muito bacana, mas foi pensado sozinho, não integrado…não da para comparar, mas a campanha do obama foi foda nesse sentido…integrou tudoo literalmente…

      mas como dia o Caio Del Manto:
      “Pra ser bem honesto: Brasileiro é babaca! Tem essa coisa de glamour pra caralho e não tem interesse em sair do modelo film/print.”

      Disse tudo

      [Reply]

    4. Rafael Amaral
      August 24th, 2009 at 3:49 pm

      Fala Marcelo.
      Entendo seu ponto.
      Mas qual é esse brasileiro? O consumidor, o cliente ou o publicitário?
      Abração.

      [Reply]

    5. @criativo
      August 24th, 2009 at 3:57 pm

      Minha opinião particular é que apesar do brasileiro ser considerado criativo, eu vejo que grande parte dessa criatividade, que se transformaria em inovação assim que gerasse dinheiro, é barrada pelo conservadorismo corporativo, que sem dúvida ainda é o padrão nas empresas brasileiras.

      Inovação sem riscos é utopia e por aqui são poucos os que ousam assumir riscos. Não é por isso que nós temos tão poucas marcas nacionais realmente inovadoras e admiradas?

      Google, twitter, Virgin, Nike e Apple, só para citar algumas empresas, só poderiam surgir em ambientes que aceitam o risco como parte do negócio, não como algo a ser evitado.

      Parabéns por colocar o assunto em pauta!

      http://www.twitter.com/criativo

      [Reply]

    6. Marcelo Castro de Oliveira
      August 25th, 2009 at 11:54 am

      Rafa

      O publicitário é esse brasileiro…no fundo e é óbvio, os cabeças são acomodados no bom e velho BV…esse bloqueia qualquer inovação…
      Quando vai startar a campanha as idéias são pensadas para o filme e print direto, muitas vezes sem perceber…principalmente nas grandes agências…
      Você vê novas “botiques”(nome bem ridículo) que não aparecem toda hora com filme e crescem vertinozamente – caso mais claro é a PeraltaStrawberryFrog…
      Não que eles sejam mega inovadores, mas eles parece que pensam primeiro na idéia, no movimento cultural como eles dizem…se aquilo precisará do filme e print, vai fazer isso…mas não é obrigatório…

      acho que o BV é um quesito que barra muito as inovações por aqui…inovamos, mas na forma de comunicar o filme e a print..

      abs

      [Reply]

    7. Genilton
      August 25th, 2009 at 12:08 pm

      A cobrança precoce pelo brilhantismo ofusca todo esse lado criativo, que pode sofrer uma pane e voltar depois de um tempo ou nem voltar, tudo é levado para cobrança pelo sucesso, ser bem sucedido, aqui a realidade é outra, dê primeiro orientação adequada para que possamos apresentar resultado criativos. Se queimam muitas etapas com isso, se perde muita coisa no meio desse processo.

      [Reply]

    8. Rafael Amaral
      August 25th, 2009 at 1:04 pm

      Olá criativo!
      Obrigado pela participação.
      Acho que o ponto que você levantou esbarra no dilema da imagem mental que convencionamos fazer sobre empresas e pessoas.
      As empresas são as pessoas. Se a empresa tem uma conduta conservadora, é reflexo da conduta das pessoas que a compõem.
      Ou será que nossa conduta administrativa é diferente do que consideramos criatividade, quando trazemos esse cenário para o nosso mundo da comunicação?
      Abração!

      [Reply]

    9. Rafael Amaral
      August 25th, 2009 at 1:17 pm

      Olá Marcelo, agora entendi.
      Mas o que diz de grandês agências que sobrevivem sem BV justamente pela orientação do negócio, como agências BTL, digitais ou de social media?
      Acho que o que impede a inovação está muito mais dentro das pessoas do que dentro de corporações.
      Abraço.

      [Reply]

    10. Rafael Amaral
      August 25th, 2009 at 1:46 pm

      Olá Genilton!
      Obrigado pela visita.
      A que cobrança você se refere? A que fazemos a nós mesmos ou a que o mercado impõe?
      Abração.

      [Reply]

    11. Twitter Trackbacks for Brasil, Festival de Cannes e o gap da inovação | Estagiaridade [estagiaridade.com] on Topsy.com
      August 25th, 2009 at 10:39 pm

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    12. Genilton
      August 26th, 2009 at 3:27 pm

      As duas se complementam, a nova geração já entra no mercado sabendo os que as esperam, não existe tempo de de adaptação a eles e nem uma orientação adequada, não temos a cultura de instruirmos as pessoas para depois sabermos cobralas, você tem que começar a trabalhar o quanto mais cedo e render 100% sempre, isso faz com que começem no mercado já pressionado, com uma cobrança do mercado e uma cobrança pessoal interna (que eu enxergo ser bem pior). Se em um curto espaço de tempo não apresente resultados brilhantes a impressão é a do fracasso, administrar carreiras e os talentos, sem os sulgarem até a exaustão acredito que seja a solução para inovação em um médio prazo e longo prazo.

      [Reply]

    13. Rafael Amaral
      August 27th, 2009 at 1:04 am

      Interessante seu ponto, Genilton.
      Vale uma reflexão.
      Grande abraço.

      [Reply]

    14. Marcelo Castro de Oliveira
      August 27th, 2009 at 2:48 pm

      Rafa,

      Concordo contigo.

      Mas as corporações sobreviveram anos com esse modelo. Botar na cabeço de caras que já viveram mais de meio século e viram que esse modelo deu mto certo até agora, mas que daqui para frente não dará mais não é fácil. É bem foda. Eles não congitam isso.
      E por outro lado, acredito que temos pessoas engajadas a inovarem e fazer coisas diferentes (principalmente os mais jovens). Aí ele entra numa agência com ele modelo antigo, grande e presentativa, vislumbra o glamour da propaganda que eu falei antes e acaba “se convencendo” de que esse modelo é certo.

      Existe agência grandes de BTL fazendo trabalhos ótimos, mas são poucas comparadas ao todo. E na sua grande maioria são agências relativamente novas, com pessoas que querem fazer diferente. O modelinho do BTL no Brasil tb é foda. Vejo muita agência cumprindo com o scrip, fazendo material para PDV. Acho que uma das razões pelas quais elas tem grande sucesso vai mais pelo aumento no investimento que os cliente fazem, do que por inovar e fazer coisas diferentes. O PDV de hoje em dia é infinitamente mais importante do que a 5, 10 anos atrás para qualquer cliente. Ai vem a grana. Repare que com o mercado imobiliário é assim também. Tem agência crescendo muitoo, mas não quer dizer que o trabalho feito é bom.
      abs

      [Reply]

    15. Anfíbia
      August 31st, 2009 at 12:00 pm

      Olá Rafael,
      Sinto que esperamos ainda o movimento vir de fora para depois criarmos, precisamos de um case de sucesso para nos sentir seguros, e muitas vezes a idéia vem dos EUA, parece ser um local com menos medo de errar.
      É um fato que somos cobrados por resultado, nenhuma comunicação é trabalhada sem pensar no retorno que ela trará. Esse é o propóstio da propaganda mas isso não impede ninguém de ser criativo.
      Existem clientes que querem campanhas diferentes, existem agências preparadas para fornecer a inovação e acredito que temos sim motivos para nos orgulhar dos profissionais de comunicação do Brasil.

      [Reply]

    16. A involução natural da espécie | CASA DO GALO - O animal da publicidade.
      September 2nd, 2009 at 10:51 am

      [...] semana, dando uma lida nos meus feeds, li um texto do Rafa Amaral lá no estagiaridade. Depois, em uma rápida olhada pela M&M dessa semana, li um artigo do Fernando Campos falando [...]

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