Cadê o cara?
Escrito por Rafael Amaral
Por Gui Pignata
Em 1985, a novela Roque Santeiro, estrelada por José Wilker, Lima Duarte e Regina Duarte, história de Dias Gomes escrita por Aguinaldo Silva, alcançou incríveis 90 pontos no capítulo final. É até hoje a novela de maior audiência da história da TV brasileira. (Patricia Kogut – Folha de SP, 14/05/2008).
Saudades dessa época.
Eu tenho um pouco. A Rede Globo certamente tem muita!
Sábado, dia 17, saiu na Folha, no caderno especial, página E4, anúncio em página espelhada: “Ô loco, meu! 1000 programas”.
Numa rua perto da PUC-Campinas um outdoor comparando Faustão ao Pelé. Não me lembro o título, mas era alguma coisa 1000 gols x 1000 programas (cá entre nós: sacanagem da grossa comparar o Pelé com o Faustão).
A Globo está desesperada e não é de hoje! Tem perdido a cada semana mais e mais pontos de audiência. E não adiantou nem a Ana Maria Braga levar o Ronaldo Fenômeno à sua chatice matinal.
Outros canais também estão no meio desse processo de migração de mídias e parece que ainda não se tocaram.
Uma iniciativa interessante no sentido de tentar sobreviver a isso foi implementada pela TV Cultura que reformulou totalmente sua grade há pouco tempo. A intenção era deixar a programação mais atrativa, com mais conteúdo e, no caso específico da emissora, cultura.
O que temos nós a ver com isso?
Quando fui convidado para escrever aqui no Estagiaridade, perguntei ao Rafa se tinha alguma restrição com relação a escrever sobre mídia, pois não me parecia ser o foco do site. Ele me confirmou que não era o foco, mas que mídia é um assunto relacionado, como é bem fácil perceber, e que, sendo assim, não teria problema.
Tenho tido cada vez mais a impressão de que a discussão sobre as mídias tem de vir primeiro, antes de nos preocuparmos com criação ou com técnicas.
Não é difícil a pessoa minimamente antenada, que navega na internet na mesma hora em que assiste TV, tem do lado uma revista aberta e no mesmo momento atende um telefonema.
O famoso (e já clichê) zapping de mídia já não é uma novidade e me leva insistentemente à pergunta da qual Dr. Geribello não enjôoa: “pra onde estará olhando aquele cara quando quisermos conversar com ele?”
Podemos ter a sacada mais criativa da história, mas colocá-la num outdoor no deserto de Mojave, acho que não é uma boa.
Grandes sacadas deram grandes resultados.
A mídia indoor, quando bem feita, tem cumprido um papel bacana e tem dado algumas respostas pra gente sobre o que fazer e como achar aquele cara. Ele certamente olha pra parede quando, ao trocar o ‘Cansástico’ pelo Chopp Brahma, vai tirar a água do joelho.
De quebra, nesse tipo de mídia, sabendo onde ela está, já vêm quase resolvidas questões como personalização e fidelização da mensagem.
Se alguém tiver um palpite sobre qual será o próximo passo no caminho da migração das mídias e das audiências eu adoraria ouvir.
Em tempo:
No livro “Confissões de um Publicitário”, de Ogilvy:
“Depois do Teatro, a Publicdade é a profissão mais instável.”
Eu faço publicidade pra um teatro.
Gui Pignata é músico, bacharel em Música Popular pela Unicamp, estudante de Publicidade e Propaganda da PUC-Campinas e designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas.
Contato: guipignata@gmail.com
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1 Comentário to “Cadê o cara?”
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Stephanie
May 22nd, 2008 at 1:06 amBoa Noite Gui Pignata!
Adorei o seu post, mas o que mais me chamou a atenção foi a sua atual leitura. Estou lendo este mesmo livro e quando mencionou essa frase lembrei o quanto achei engraçado essa parte.
Aliás o livro inteiro é uma figura…muito recomendado a todos.Além dele estou lendo “Propaganda é isso ai”…mto bom tb!
E outra coisa… vc é músico tb? Caramba! Precisamos conversar….hahahaha
Eu fiz piano com professores particulares, mas nunca cheguei a fazer faculdade. E estou no curso de Publicidade tb!
Um bom feriado e estarei te acompanhando…. gostei de vc! hahahaha
Bjos
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