
Uma das lembranças gostosas de quando eu era menininho no interior eram as vezes que meu avô ou minha mãe me levavam à padaria ou ao açougue.
Precisávamos de carne, pães e leite e lá íamos nós encontrar a Dona Maria ou o Seu João, que nos atendiam pelo primeiro nome. Chegando lá, meu avô invariavelmente encontrava alguns amigos e minha mãe papeava com a menina do caixa.
Troquei a infância pela adolescência e minha mãe e avô trocaram o açougue e a padaria pelo supermercado. Lá a gente tinha variedade e preço, o que levava a qualidade superior. Era um lugar democrático, fato. Mas nunca decorei o nome da menina dos frios e laticínios, embora gostasse, a princípio, de ter o Rafa trocado por senhor.
Vim para São Paulo e, comigo, as compras online. Mais flexibilidade de preço, variedade e acesso 24h. Menos gasolina, estacionamento e vendedor despreparado.
Meu bolso e rotina agradecem. A apatia também.
Aí vem a NRF 2012 – maior evento de varejo – e diz que:
As lojas serão locais de experiências e vão mesclar o mundo físico e o virtual. A tecnologia será utilizada tanto para proporcionar as tais experiências quanto para melhorar a capacidade de venda da equipe da loja. E os vendedores deverão ter o perfil de consultores bem informados, atuando também como embaixadores da marca.
Seu João, sim, era um verdadeiro embaixador da marca.
Se a tendência ajudar a trazer mais coração para a troca de produtos por dinheiro, quem sabe a magia do varejo não ganhe uma versão revista e atualizada.
One comment
e mesmo querendo manter esse comportamento tão provinciano e interiorano; aquele de chamar quem te atende ao balcão por seu nome; fomos engolidos pela alta rotatividade de funcionários; hj é uma pessoa, amanhã ( amanhã mesmo, o dia seguinte…), por um motivo ou outro ele já partiu para outro emprego; mas continuo insistindo em aprender seu nome, saber sua identidade…Tornamo-nos descartáveis?
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