“Above all, be true to yourself”

Uma das formas de crescer como indivíduo é a imitação. Você se identifica com ídolos ou roll-models e rouba aspectos para testar em si mesmo. O que geralmente escapa nessa maturação é perceber que o que fez essas pessoas serem ídolos ou modelos é o que elas realmente são. E isso são elas, não nós. Nesse tempo de ausência por aqui, uma coisa não me saiu da cabeça: cedo ou tarde, você precisa começar a ser você. Ser verdadeiro com o tipo de vida que você quer viver. E me parece que os 20 e poucos anos estão sendo uma boa fase para essa decisão. Acontece que, com ela, vem uma nova responsabilidade: é hora de ficar realmente bom em ser você mesmo. E, se você é estrategista, isso também precisa ser levado para a profissão. Quando a gente se espalha pela web - Facebook, blog, Twitter, Foursquare, etc - a nossa vida é transmitida em pedaços. E ainda que os pedaços sejam apenas pedaços, eles criam uma imagem do que você realmente é. E isso é um ativo de grande valor. Primeiro porque, se você é contratado simplesmente para planejar, seu emprego nunca está 100% garantido. Quando o seu papel é puramente executar uma tarefa, você sempre será substituível por qualquer outro planner que consiga entregar as mesmas obrigações. O cenário muda quando você, além de fazer o trabalho muito bem, é excepcional em ser você mesmo. Afinal, ninguém mais pode fazer isso. Em segundo lugar - e, para mim, mais importante - é que esse esclarecimento e empenho pessoal não te deixa refém de nenhum emprego. Ahá. Sabe o que isso quer dizer? Você não será daqueles chatos insatisfeitos que reclamam da vida e não se mexem para mudar. Engraçado que, com tantas obras, Shakespeare me conquiste por esse trecho:
This above all: to thine own self be true, And it must follow, as the night the day, Thou canst not then be false to any man.
Que faça tão bem a você como faz a mim.

Missão cumprida

Dia 2 de março nós fizemos um acordo por aqui, lembra? Eu e você, você e eu, decidimos que iríamos deixar esse blog sexy de novo até 25 de julho. E conseguimos! Esse lance de promessa pública funciona mesmo. A frequência de posts ficou menor que o esperado, é verdade. Mas não tira o brilho de que esse espaço continua um lugar legal para trocar ideias. E sobre trocar ideias, quero abrir o foco por aqui. Esse papo de planner só falar sobre o mundinho da profissão com outros planners enche o saco. Mas enche o saco quando a gente esquece que o mundinho de planejamento vai além do dia-a-dia dos jobs e feeds profissionais. Planejamento fica mais gostoso quando a gente olha mais para as pessoas. E a ideia agora é compartilhar descobertas, dúvidas e questionamentos com mais Rafa Amaral e menos profissão. Obrigado por participar. Foi um presentão de aniversário.  

O lado B das concorrências

Concorrências enchem grande parte do bolso das agências brasileiras de BTL. Ir embora mais tarde, virar finais de semana, estresse e discussões entram junto aos jobs das ditas-cujas. E ainda que a gente reclame dessas coisas - bom, eu reclamo -, nós não nos vemos trabalhando em outra ocupação. Pelo menos não deveríamos. Se você se vê, o que está esperando? O lance é que a sensação de ganhar uma concorrência é incomparável. A camaradagem, a união da equipe, a energia e, porque não, uns bons drinks. Até mesmo perder a concorrência traz essas coisas bacanas, na maioria dos casos. Digo na maioria porque, vez por outra, você pode participar de uma concorrência para manter a conta na casa. E aí, perder significa perder o emprego. Gente boa, esforçada, perdendo o leitinho das crianças. Gente que precisa da grana que entra todo mês para cuidar de alguém ou das dívidas. Há alguns dias nós ganhamos uma concorrência para um projeto muito legal aqui na Bullet. Um desses que você quer cuidar com todo o carinho do mundo, sabe? Então antes da comemoração perder a linha, um brinde aos que perderam. Não só uma concorrência, mas uma fatia de negócio. Porque, afinal, o mundo dá voltas.

Quem resiste a uma oferta?

Gosto muito do Groupon e seus concorrentes por dois motivos. Primeiro porque graças à eles fui de rodízios de espetinhos à spas por preços baixíssimos. E eu achei importante dividir isso com você. Segundo porque eles são um exemplo mais que bonito de como uma marca pode entregar ofertas ao invés de descontos. E tem muita diferença nisso aí, garotão. Desconto nada mais é que um produto ou serviço com preço reduzido. Ao invés de pagar R$1,30 naquele iogurte, você leva para casa o café da manhã por apenas R$0,99. Que beleza, hein? O problema dos descontos é que se você, marca, não der um motivo para ele, o cara que está em frente à geladeira no supermercado vai inventar um motivo na própria cabeça. E você conhece o ser humano, esse bichinho pessimista. Provavelmente vai inventar um motivo negativo.
Tá mais barato, é? Deixa eu olhar a validade. Se bobear é um esquema para me fazer comprar mais. Esses iogurtes, tentando tirar meu dinheiro suado. Aqui não, aqui é Corinthians! - Paulo Roberto, zagueiro do Timão, em momento de fúria.
Mas e se meu iogurte for ótimo para a terceira idade e o desconto for somente para maiores de 60 anos? Aí entra uma história relevante para o produto e crível para o consumidor, não acha? E quem puder aproveitar o desconto ainda vai se sentir privilegiado. O que é verdade, de fato. O lance é que quando o desconto vem com uma história convincente, a transação ganha valor percebido pelo consumidor. Isso vira uma oferta. E ofertas são muito mais efetivas que descontos. Que o diga o Groupon. Os preços são sim baixíssimos, mas você só leva para casa se um punhado de gente comprar ao mesmo tempo. E aí a história fica interessante e muda a natureza do desconto. O motivo fica bom demais, convicente demais para não dividir com os amigos. Aí a gente compartilha.

Depois de Cannes

Eu prometo não usar Coca-Cola, Nike ou qualquer outra marca internacional e excepcional que ganhará leões em Cannes, como exemplo para justificar planejamentos em 2011.
Estamos no meio do Festival de Cannes e fica fácil dizer que grandes marcas fora da curva, como as duas acima, ganharão prêmios. De novo. Se você não tem ideia do que está acontecendo no Festival ou não tem saco para ficar acompanhando, vale a pena conferir o Cannes Predictions da Leo Burnett e depois conferir os compilados de ganhadores que os blogs mundo afora farão. A proposta aqui é a seguinte: se inspirar nos feitos das Big Badass marcas para encorajar clientes a experimentar ideias em que tudo pode acontecer - inclusive o excepcional - ao invés de nos cercarmos de medos e barreiras que permitem apenas um único resultado previsível. Repita comigo. Depois de Cannes eu não usarei leões de outro/prata/bronze para provar que tudo é possível. Até porque os resultados mais interessantes surgem quando a gente aceita que as marcas enfrentam limitações claras e identificadas. E a partir daí encontramos soluções.