
Uma das formas de crescer como indivíduo é a imitação. Você se identifica com ídolos ou roll-models e rouba aspectos para testar em si mesmo.
O que geralmente escapa nessa maturação é perceber que o que fez essas pessoas serem ídolos ou modelos é o que elas realmente são. E isso são elas, não nós.
Nesse tempo de ausência por aqui, uma coisa não me saiu da cabeça: cedo ou tarde, você precisa começar a ser você. Ser verdadeiro com o tipo de vida que você quer viver. E me parece que os 20 e poucos anos estão sendo uma boa fase para essa decisão.
Acontece que, com ela, vem uma nova responsabilidade: é hora de ficar realmente bom em ser você mesmo. E, se você é estrategista, isso também precisa ser levado para a profissão.
Quando a gente se espalha pela web - Facebook, blog, Twitter, Foursquare, etc - a nossa vida é transmitida em pedaços. E ainda que os pedaços sejam apenas pedaços, eles criam uma imagem do que você realmente é. E isso é um ativo de grande valor.
Primeiro porque, se você é contratado simplesmente para planejar, seu emprego nunca está 100% garantido. Quando o seu papel é puramente executar uma tarefa, você sempre será substituível por qualquer outro planner que consiga entregar as mesmas obrigações.
O cenário muda quando você, além de fazer o trabalho muito bem, é excepcional em ser você mesmo. Afinal, ninguém mais pode fazer isso.
Em segundo lugar - e, para mim, mais importante - é que esse esclarecimento e empenho pessoal não te deixa refém de nenhum emprego. Ahá. Sabe o que isso quer dizer? Você não será daqueles chatos insatisfeitos que reclamam da vida e não se mexem para mudar.
Engraçado que, com tantas obras, Shakespeare me conquiste por esse trecho:
This above all: to thine own self be true,
And it must follow, as the night the day,
Thou canst not then be false to any man.
Que faça tão bem a você como faz a mim.