Ser feliz é a segunda meta

Abri mão de buscar a felicidade a todo custo. Ando pensando que essa talvez seja uma jornada vazia, já que, para ter certeza de que somos felizes, seria preciso saber o sentido da vida. Coisa que não se encontra fora do fanatismo religioso.

Mas se não vou buscar uma vida feliz, que tipo de vida tem para hoje, doutor?

Acho que uma vida interessante.

Não que eu queira me tornar um expoente, superstar, grande pensador ou coisa do gênero. Eu quero é estar interessado. Escolher coisas que são interessantes a mim ao invés de coisas que me fazem feliz.

Como voltar a escrever no Pense Planner. Sabe lá se vai ser uma experiência feliz. Daqui a pouco o Capelo aparece e volta a trollar nos comentários. This isn’t happiness. Mas é interessante.

Pensando bem, acho que tomei essa decisão há quase 3 anos atrás, quando resolvi vir para São Paulo.

Pelo Paradoxo da Escolha, quem é feliz não busca um mundo de opções. Quem quer oportunidade de escolha é quem busca uma vida interessante. Mais escolhas = melhores escolhas.

E essa é a cara de São Paulo. Clichêzamente a cidade que não para. E aqui, brother, as pessoas preferem ter opções a ter felicidade. Não tente tirar essa informação através de pesquisa, o que elas falam não é o que você vê.

Já Santa Bárbara d’Oeste não é nada parecida. E, acredite, eu não lembro de ouvir alguém de lá falar que não é feliz. Sabe o que lá tem que São Paulo não tem? Falta de opções.

E não há nada de errado em estar satisfeito com isso. Santa Bárbara está entre as 30 melhores cidades para se morar do Brasil.

Gosto de lá, de verdade, mas não é um lugar onde você vai para encontrar as melhores coisas. Não comece com provincianismo, por favor. A melhor coxinha de frango não está lá. E tudo bem.

O barato de lá é que o estilo de vida é fácil. Lá tem família, história pessoal, proximidade, trânsito leve e as coisas, em geral, estão sempre bem.

Em São Paulo, nada está sempre bem. É caótico, intenso, estressante e desafiador. Todo dia.

Se você também se mudou do interior para uma capital como São Paulo, provavelmente já viu a seguinte cena. Quem prefere escolhas ao invés de felicidade, raramente discute a posição. Já quem escolhe felicidade às escolhas fica puto quando confrontado sobre a decisão.

Hoje sou uma pessoa que prefere o interessante ao complacente. Fazer de tudo, ao máximo que conseguir, aqui, agora. Com isso vêm a volta do Pense Planner, as Planning Pills, metas para os anos pré-Copa e novidades que logo eu mostro por aqui.

O mais interessante disso tudo é como o mundo de muitas escolhas é curioso.

As pessoas estão dispostas a pagar muito dinheiro para ter muitas opções às mãos, o que é percebido como uma vida interessante, mas não para ter relativamente menos escolhas, e serem felizes. O preço do metro quadrado que o diga.

7 Comments

  • December 7, 2011 - 1:58 pm | Permalink

    Eu disconcordo totalmente.

    Ser feliz é o principal. Esqueça as opções. Escolha, vá em frente, seja feliz, morra e deixe um cadáver bonito.

    While the advertising world zigs, zag.
    O último post de Alex Luna foi: Zebras e Fábricas de Úlceras

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  • December 7, 2011 - 4:19 pm | Permalink

    Não sei se concordo ou discordo.

    Já quis experimentar muito mais, me mudei para São Paulo, morei por dois anos e meio lá, até cansar e me mudar para Campinas. Não consigo responder se as pessoas são mais felizes lá ou no interior, até porque conheço pessoas felizes em ambos os lugares, e pessoas deprimidas também.

    No fim, talvez buscar a felicidade seja apenas ser verdadeiro com você mesmo.

    E embora mais opções seja igual a ter acesso a escolhas muito mais interessadas e ricas, uma enormidade de opções pode pesar demais. Você sempre vai querer saber o que teria sido aquela outra.

    Parabéns pelo post! :)

    [Reply]

  • Drish Balbo
    December 8, 2011 - 5:58 pm | Permalink

    Adorei o texto, talvez discordando em alguns pontos, mas gostei muito!
    :)

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  • December 8, 2011 - 6:17 pm | Permalink

    OH Wait!!!!! parece que esse texto sai de dentro do meu peito.
    Da paulistana que morou a vida inteira dentro de condomínios fechados da granja viana, mudou pro interior, foi mais pro interior ainda pra fazer faculdade, voltou pro interior mais pertinho da metrópole; que quer a todo custo voltar pra São Paulo, não só porque lá estão algumas das pessoas que ela mais ama na vida, os amigos, mas porque é o lugar que tem possibilidades! Quando me perguntam porque eu gosto tanto de São Paulo eu não sei dizer, só sei que é reconfortante saber que alí eu tenho tudo que precisar ou imaginar a qualquer hora, que alí eu posso ser quem eu bem entender!!!!!

    [Reply]

  • Fernanda
    December 21, 2011 - 2:07 pm | Permalink

    Sinceramente, eu concordo. A felicidade talvez seja uma utopia. Não já como ser feliz 24h por dia, 7 dias na semana, 30 dias por mês, 365 dias por ano. Você não É feliz, você ESTÁ feliz. É um estado de espiríto que acontece em decorrência de inúmeros fatores – vários, inclusive, apontado no texto. Aliás, as pessoas do “interior” como eu, você que são inquietas e buscam novos horizontes, não conseguem se limitar ou se contentar com SÓ aquilo. As escolhas são mínimas. Profissionalmente se estagna muito novo. São Paulo abre a visão, abre a mente para que se tenha escolhas – e ai, não as julguemos certas ou erradas, melhores ou piores, são escolhas. O negócio é mais do que escolher, é ter opções. É poder ver uma exposição internacional no domingo a tarde, é andar de metrô e admirar as poesias escritas nas paredes, ou os quadros expostos. A questão aqui é: ESTAR feliz com coisas interessantes. Quem busca felicidade, acaba focando no fim e não aprecia o meio. O realmente interessante está no meio, na procura, nos momentos e em tudo que se pode apreciar durante o processo de busca… Acontece que o preço para ter esse “meio” bem vivido pode ser alto. Ou seja, abrir mão do conforto, do comodismo do interior.
    Belo texto.

    [Reply]

  • Gui Pignata
    January 3, 2012 - 10:34 am | Permalink

    Curti. Acho que é isso.

    E o lance é entender tb que às vezes você escolhe as opções erradas. E aí tem mais opções por ali pra vc escolher de novo!

    Esse ano é nosso, cumpadi! ;)

    Abraços!

    [Reply]

  • January 3, 2012 - 10:52 am | Permalink

    Que legal Rafa, não sabia do seu blog!
    A felicidade sempre foi tão discutida e de tudo que li ou ouvi até hj o mais próximo do aceitável p/ mim é que “ser feliz é estar feliz”.

    Gostei do seu ponto de vista e comparações. Acho que o “estar feliz” é sim completamente ligado ao estilo de vida que vc deseja levar. Morar em SP exige muito da gente, mas com certeza tem suas recompensas.

    Uma vez tomando vinho com a Helena perguntei qual era o adjetivo que chamava a atenção dela em um vinho. Ela respondeu algo do tipo “marcante”. Minha resposta foi “interessante”. Enquanto houver interesse onde quer que estejamos, as chances de encontrar o que nos “faz feliz” são sempre maiores.

    Nada impede que os interesses das pessoas mudem e outras coisas passem a fazê-las felizes. O importante, pelo menos pra mim, é buscar escolhas interessantes.

    Talvez um dia, morar em SP tb não seja mais interessante. Talvez o interessante passe a ser uma startup no Maranhão ou uma barraca de côco no Ceará, nunca se sabe!

    Parabéns pelo blog!
    O último post de Sergio Avila foi: seh_avila: Esse cover photo finder p/ Face me lembra mt as ~customizações~ do seu profile do orkut. http://t.co/ENikQWaQ

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